Eu acabei de ler Persépolis, e fiquei muito feliz. Não sou muito fã de quadrinhos, mas li Maus e agora Persépolis e são dois livrassos. Aprendi a gostar das bandas desenhadas com o meu amorzinho, o Gabri, que resenhou Persépolis pro blog do Andrey. E eu, ladina que sou, copiei e colei. Irã autobiográfico (por Gabriel Rocha)
Satrapi, cujo bisavô foi imperador do país, cresceu no meio da revolução de inspiração comunista que derrubou o Xá Rezah Pahlavi em 1979. Aos olhos da esquerda e dos líderes religiosos do país, Pahlavi era visto como uma marionete dos americanos e ingleses. Nos anos em que esteve no poder, o Xá promoveu a ocidentalização do país e a aproximação com Israel. Ao mesmo tempo, seu regime se tornou cada dia mais despótico e intolerante com a oposição. Estima-se que no final do seu reinado havia 2200 presos políticos no Irã.
Educada em uma escola francesa laica de Teerã, Satrapi tinha 10 anos na época da revolução. Filha de intelectuais comunistas, ela cresceu em meio ao marxismo e à religião. Favoráveis à deposição do Xá, os pais da menina logo se deram conta de que a revolta popular que derrubou Pahlavi havia sido rapidamente apropriada por líderes religiosos, que transformaram o Irã em uma república islâmica. Os opositores de esquerda que derrubaram o Xá, pularam do fogo para a frigideira, já que continuaram a ser perseguidos pelo novo regime.
Cedo, Satrapi teve que conviver com as mudanças impostas pelos líderes religiosos. Na escola ela era obrigada a usar véu e meninos e meninas agora tinham que estudar em salas de aula separadas. O regime ia se tornando cada dia mais duro, forçando a jovem Marjane a se acostumar com a perseguição a parentes e amigos da família.
Em meio à confusão interna do país, o Iraque de Saddam Hussein invadiu o Irã e começou uma guerra que se arrastou de 1980 até 1988. Marjane e sua família viram de perto a escassez de alimentos, os bombardeios, a hostilidade a refugiados de outra partes do país que vinham para Teerã, a proliferação de mártires e a convocação de amigos de infância para a guerra. Tudo isso ao mesmo tempo em que tentavam levar uma vida normal.
Com a proibição ao álcool e o combate aos "valores ocidentais decadentes" correndo solta no país, os iranianos tinham que se virar para conseguir algum tipo de diversão. Várias festas clandestinas na casa dos Satrapi foram interrompidas pelas patrulhas dos guardiões da revolução, que fiscalizavam qualquer atividade subversiva. Não raro tudo era resolvido com a boa e velha propina aos patrulheiros e com alguns litros de vinho despejados no vaso sanitário.
A paranóia era tanta que a simples encomenda de algumas fitas cassete e de um pôster do Iron Maiden feita por Marjane aos seus pais, que haviam ido visitar a Turquia, se transformava em uma perigosíssima operação clandestina.
Quando a situação começou a apertar, Marjane, aos 14 anos, foi enviada para um período de exílio na Áustria. A ebulição de hormônios da puberdade chegou ao mesmo tempo em que ela estava em um país do qual ela não conhecia a cultura e muito menos a língua.
Apesar de ter tido uma educação liberal, os costumes europeus estavam a anos-luz do comportamento do pessoal mais descolado com quem convivia no Irã. Em Viena, Marjane adotou um visual punk e se deparou com as primeiras decepções amorosas e a descoberta do sexo. Lá ela também teve que encarar o preconceito racial e enfiou o pé na jaca em suas experiências com as drogas.
A exemplo de Art Spielgman (Maus) e Keiji Nakazawa (Gen, Pés Descalços), Marjane Satrapi, hoje radicada na França, faz um belo retrato de sua própria experiência tendo como pano de fundo eventos históricos. Os traços simples e estilizados de Satrapi são o complemento perfeito para sua narrativa direta e enxuta.
Persépolis teve os direitos de publicação vendidos para mais de 20 países e este ano ganhou uma adaptação cinematográfica em um longa-metragem de animação que estreou no Festival de Cannes. Na dublagem em inglês as vozes dos personagens são feitas por gente legal como Sean Penn, Catherine Deneuve e o mestre Iggy Pop.

Um comentário:
Duas coisas:
1. deu até tesão, só porque Gabinho recomendou, hehehe...
2. gostar do BBB, Cris? tou de mal (nos próximos 15 minutos!)
bj
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