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Ter um animal de estimação não é se apossar de algo, como de um terreno ou uma casa. É muito mais que isso. Está mais relacionado a criar um filho que a outra coisa qualquer. Cachorros, gatos e outros animais domésticos precisam de cuidados e, antes de mais nada, muita atenção. Assim como nós, eles podem desenvolver doenças, inclusive, de cunho psicológico. Não aconselho a compra ou adoção de um animal a quem não está disposto a sacrificar-se de vez em quando. Porém, há o fato de ganhar um companheiro para todas as horas, de um carinho inigualável. Mesmo os gatos, tidos como ranzinzas e individualistas, podem apresentar um comportamento extremamente amável. Sou suspeita porque tenho verdadeira paixão pelos bichanos, apesar de criar um só, por morar em apartamento e, o que mais dificulta, com minha mãe. Mas o Pam, o felino da minha vida, é um ser que todos os dias me emociona e me cativa. O temperamento dele é muito peculiar e muitas vezes eu esqueço que ele é um gato. O Pam espera na porta quando a gente chega, dorme entre as nossas pernas no inverno, toma água do tanque, chama a gente de manhã cedo, pede comida, carinho, água, e eu sempre sei exatamente o que ele quer. O Pam é também entediado e ansioso; e isso eu sei porque ele puxou a mim. É sério. Já li muito sobre gatos, todos os livros ao meu alcance eu compro, e percebo, cada vez mais, que as personalidades deles variam, e não só de acordo com a raça, mas com a criação e algo que vem deles mesmo, como nós, seres humanos. O Pam já sofreu duas experiências terríveis. Uma vez, caiu do sétimo andar e eu quase morri; faltei muitas aulas pra ficar ao lado do meu amor da bacia quebrada. Vívido que é, em dois meses ele voltou a andar. Um bom tempo depois, ele ficou doente: pegou uma hepatite brava e o primeiro veterinário que consultei sugeriu sacrificá-lo, alegando que o bichano não teria chances. Inconformada, fui a uma clínica cara (mesmo sendo estudante e sem dinheiro) e o profissional foi bem claro: ¿Tratei dois gatos com hepatite e ambos faleceram¿. Bom, pra mim isso não disse nada. E fui em frente. O Pam estava magrinho, desidratado, não comia, mas eu via que ele queria viver. Tratamos ele com soro na veia por três dias seguidos pra recuperá-lo, e, logo depois, começamos com antibióticos. Trouxe o meu gato para casa e faltei mais muitas aulas para alimentá-lo várias vezes ao dia com comidinha reforçada na seringa e medicá-lo. Dormia e acordava com ele, conversava muito, e o Pam foi se recuperando. Nunca pensei em desistir. Lembro que no primeiro dia que ele comeu por vontade própria eu chorei muito; tinha vencido uma batalha. E aí foram só alegrias. Hoje em dia o Pam é super saudável, tem 9 anos, mas vai viver muito ainda. Com ele, aprendi muito sobre animais, sobre o zelo que temos que ter com eles e, principalmente, sobre as necessidades de um gato. Sou defensora de ter um felino em casa e já convenci vários amigos a adotarem um. Visito-os com freqüência e conheço o temperamento de cada um. Durante a minha vida, já convivi também com muitos cachorros, os quais eu gosto muito, me apego, mas não tenho a mesma curiosidade e fascínio que os gatos me proporcionam.
