Foi-se meu avô. E nessas horas, mais que em outras, eu penso na validade das coisas desta vida. Penso nisso e em muitas outras coisas, além das saudades, que dóem demais. Mas o que eu mais pensei hoje, durante o dia, o velório, o enterro, foi na tristeza de minha avó. Foi de doer ver a expressão de dor no rosto dela que, durante 65 anos, esteve ali, ao lado dele. Mais ainda quando ele adoeceu e ela era só amores.
Meu avô, que já estava fraquinho, fraquinho, tinha que se esquivar dos apertões de bochecha, das palmadas na mão e dos selinhos intensos que minha vó dedicava a ele todo o tempo. “Papito querido”, ela dizia. E os dois passavam os dias um ao lado do outro, em frente à televisão, muitas vezes sem nada dizer, cada qual no seu lugarzinho dileto, desde que eu me conheço por gente.
E amanhã a minha avó vai acordar e o papito não vai estar lá, nem pra brigar, nem pra dar bom dia, nem pra reclamar dos beijinhos, nem pra tossir, nem pra falar das ações. Eu não sei, mas essa é uma tristeza que talvez só perca para a de perder um filho. Um companheiro de tantos anos é um pedaço muito grande.
A vó não quis ver nem a tampa do caixão se fechando, muito menos o vô sendo enterrado. E ela saiu assim do velório, no qual ela passou as sete horas acariciando o meu vô. Saiu arrasada, perguntando “Como é que vai ser?”. Eu também não sei. Vamos esperar o amanhã, que só ele sabe a resposta
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Um comentário:
Tá lindo, Cris!
Os vazios que a vida nos deixa são difíceis, mas viver é bom, cada minuto de vida vale ouro!
Não acredito em nada depois da morte, talvez por isso goste tanto de estar viva...Enquanto durar, estarei aqui,
feliz pro respirar, olhar o céu, saber do vento, gostar das pessoas...
beijão, e grande abraço na tua vó.
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